DA MAGIA À SEDUÇÃO: O milagre da assertividade

 

Da magia à sedução é o nome de um filme americano, protagonizado por Sandra Bullock e Nicole Kidman, que conta a história de duas irmãs que nasceram em uma família de bruxas. Por alguns motivos, quando crianças, as irmãs decidiram não se envolverem com feitiçaria, mas na idade adulta, após um acidente, elas retomaram a feitiçaria para resolverem alguns problemas.

Desde criança aprendemos a acreditar na fantasia, magia, em milagres ou que outras pessoas resolverão nossos problemas. Isso fica muito claro nos desenhos infantis em que os personagens passam por diversas situações difíceis, mas por um passe de mágica ou fantasia tudo se resolve. Além dos desenhos, os próprios pais ou cuidadores acabam sendo agentes mágicos para as crianças porque eles resolvem situações sem elas perceberem o que produziu aquela mudança. Um comercial de 2018 deu um exemplo disso. No comercial do dia das mães em que o menino conta ao avô que tem superpoderes que lhe permite se teletransportar. O menino chegou a essa conclusão porque sempre que dormia no sofá, ao acordar estava em sua cama. Posteriormente é mostrada uma cena em que o menino cochila no sofá e sua mãe o carrega até a cama enquanto o mesmo continua dormindo.

Na adolescência, a crença na fantasia se reduz consideravelmente e na vida adulta mais ainda. Todavia, a fantasia acaba dando lugar a crenças religiosas de qualquer natureza. Enquanto terapeuta, tenho visto isso no contexto clínico. Observo esse relato a partir de relatos do tipo: “DEUS PROVERÁ”, “TENHO FÉ”. Outros relatos, que tenho ouvido, não estão relacionados ao sobrenatural, mas são relatos que depositam a resolução dos problemas em outras pessoas. Nesse caso, os relatos são do tipo: “ELA VAI PERCEBER QUE PRECISO DE AJUDA”; “VOU ESPERAR ELE ME CHAMAR PARA SAIR”…

Não há problema em acreditar em milagres ou até mesmo na fantasia. A questão é a seguinte: porque depositar a responsabilidade em terceiros (divindade, pais, parceiros, amigos, fantasia etc.) quando você mesmo pode resolver a situação?
O mais interessante da ficção (filmes, séries, desenhos, literatura etc.) é que mesmo com superpoderes, as personagens precisam solucionar conflitos sem a ajuda da magia ou dos superpoderes. No caso do filme “Da magia à sedução”, mesmo podendo recorrer a magia, as irmãs precisam tomar decisões sobre o que fazer com a magia e arcar com as consequências de suas decisões. Quem já assistiu o filme do Superman também deve ter percebido que mesmo sendo tão poderoso, Kal-El ou Clark Kent vivencia muitos conflitos e precisa tomar decisões que não podem ser resolvidas pela sua força kriptoniana. Constantemente ele precisa decidir se revela sua identidade para Lois Lane, se continua ajudando a salvar o planeta da destruição ou se abandona tudo para levar uma vida pacata e assim por diante. Além disso, ele sabe que tais decisões terão consequências, algumas das quais seriam bem difíceis de suportar.

Então, porque as pessoas continuam esperando as coisas se resolverem por mágica/milagre/etc.?
Acredito que há pelo menos dois motivos:
1 – Crescemos assistindo filmes de fantasia em que pode dar tudo errado, mas no fim as coisas se resolvem em um passe de mágica. Além disso, desde pequeno somos ensinados a acreditar em algo. E veja, como já disse anteriormente, não há problema nisso. O fato é que muito do que precisa ser resolvido em nossas vidas, pode ser resolvido por nós mesmos.
2 – Se tentarmos resolver nós mesmos, temos que arcar com as consequências de nossas ações. Isso é difícil porque às vezes não sabemos quais são as possíveis consequências. Quando sabemos, encontramos a possibilidade das consequências não serem a que desejamos.

O que fazer então?                                                                                                                     Existe um tipo de comportamento que eu considero mágico. Sabe qual é? É a ASSERTIVIDADE.
O comportamento ASSERTIVO é o ato de defender seus direitos, expressar suas opiniões, recusar pedidos, solicitar ajuda e atingir seus objetivos sem ferir os direitos e a dignidade das outras pessoas. Na internet é possível encontrar algumas dicas de como ser assertivo. Caso essa ajuda não seja suficiente, eu recomendaria você procurar um profissional. 

E como a Psicologia pode ajudar?
A Psicologia pode te ajudar a tomar decisões, avaliar as possíveis consequências e amenizar as consequências negativas quando elas são inevitáveis.
O terapeuta, mais especificamente, o terapeuta comportamental possui estratégias que auxiliam nesse processo. Em terapia, a aprendizagem da assertividade se dá pelo treino assertivo em que o terapeuta vai ensinando algumas estratégias e fazendo algumas encenações de situações problemas que podem ser resolvidas usando-se a assertividade.

É importante considerar que vale a pena apostar na assertividade e procurar resolver seus conflitos e tomar decisões ao invés de esperar as coisas acontecerem “magicamente”. Talvez a consequência não será do jeitinho que você gostaria, mas dando certo ou não, você saberá que foi fruto de suas ações.

VALE TENTAR!

Sou Deivid Regis dos Santos, Psicólogo Comportamental e Mestre em Análise do Comportamento.

CRP: 08/21171

psicologodeivid@gmail.com

(43) 99938490

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PAU QUE NASCE TORTO MORRE TORTO?

Em algum momento você já deve ter ouvido ou lido esse dito popular. Uma banda que foi famosa na década de 90 até fez uma música que remete esse dito, apesar de o resto da música falar sobre assuntos que não têm muita relação com o significado desse dito.

Geralmente as pessoas usam essa expressão para dizer que alguém – que geralmente faz coisas “erradas” – não tem jeito ou não vai mudar o seu modo de agir. Mas, eu acredito que “pau que nasce torto pode se endireitar”. A minha experiência em psicoterapia e meu contato com a Psicologia como um todo tem me mostrado isso. Aliás, posso dizer com segurança que para ser psicólogo (a) é preciso acreditar que as pessoas podem mudar o jeito de agir.

Mas porque algumas pessoas mudam e outras não?

Há vários motivos que podem fazer uma pessoa procurar mudar o modo de agir ou permanecer do jeito que é. Geralmente, as pessoas se recusam a mudar quando já estão atingindo seus objetivos do jeitinho que são. Sabe aquela pessoa que é agressiva no modo de agir? Então, o problema é que várias vezes as pessoas conseguem atingir seus objetivos sendo agressivas com os outros. Por exemplo, um chefe autoritário (que chamarei por um nome fictício de Raul) tem o objetivo de cumprir as metas de vendas e comumente grita com seus funcionários. Pode ser que as pessoas se afastem dele por ter esse padrão agressivo, mas se o objetivo maior é atingir as metas e ele percebe que gritando está tendo bons resultados, provavelmente continuará agindo assim. Outro motivo que pode dificultar a mudança de atitude é o desconhecimento dos objetivos de vida. Às vezes as pessoas não sabem o que querem para a vida ou não sabem que seu modo de agir está intimamente ligado ao alcance dos objetivos. É aí que um psicólogo pode ajudar, pois esse profissional possui ferramentas para tornar os objetivos de vida mais claro. O “custo da mudança” é o terceiro motivo para fazer a pessoa não se engajar em comportamentos de mudança. Chamo de custo de mudança o esforço que a pessoa terá para agir de modo diferente. Às vezes parece muito difícil mudar o modo de agir e algumas pessoas acabam desistindo. O psicólogo (a) também pode auxiliar a pessoa que quer mudar, mas não sabe como.

Um dos principais motivos para uma pessoa procurar mudar seu comportamento é quando não estão conseguindo atingir seus objetivos de vida. Vamos supor o mesmo chefe do exemplo anterior. No entanto, além de atingir as metas de vendas, ele também tem como objetivo cultivar amizades e ter bons relacionamentos com as pessoas. Provavelmente ele não vai conseguir atingir o segundo objetivo sendo autoritário e agressivo. Ao perceber que está perdendo alguém agindo dessa forma, pode se sentir mais motivado para mudar de comportamento. É possível que ele se encontre em um conflito e pense: “Sendo agressivo consigo manter as vendas, mas não vou conseguir fazer amigos. Será que terei que abrir mão de algum de meus objetivos”. É aí que mais uma vez, os profissionais da Psicologia podem ajudar. Geralmente, os psicólogos (as), mais especificamente os psicólogos comportamentais, procuram ensinar as pessoas serem assertivas. Mas o que é isso? Assertividade é o comportamento de fazer coisas para atingir nossos objetivos, porém de modo cordial, ou seja, sem precisar prejudicar ou ofender os outros. Sendo assertivo, Raul poderia continuar mantendo as vendas e também fazer novos amigos.

Viu como a mudança de comportamento está relacionada às condições de cada pessoa para mudar? Por isso é que eu acredito que “pau que nasce torto pode se endireitar”. Em breve escreverei como você pode se relacionar com uma pessoa que precisa mudar o comportamento e darei dicas de como você pode ajudá-la. Por agora, gostaria de indicar um livro que fala sobre como ser assertivo em vários contextos. O nome do livro é “Falo ou não falo?: Expressando Sentimentos e Comunicando Ideias”. Esse livro dá várias dicas de como ser assertivo no dia a dia.

 

Sou Deivid Regis dos Santos, Psicólogo Comportamental e Mestre em Análise do Comportamento.

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